o mínimo tu em mim

o mínimo tu em mim

R$ 32,00
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Um mundo de silêncios: o que atestam as coisas

O poder do silêncio é uma questão antiga. A oração, no âmbito sagrado, a contemplação, num plano laico, ou a ponderação, no registro filosófico, são formas diferentes de lidar com o mundo. Mas trata-se, nos três casos, de ver o que o silêncio guarda para aqueles que decidiram parar diante das coisas e observá-las no seu instante. Em tais momentos, as coisas talvez queiram pronunciar-se. Cabe ao poeta dar-lhes relevo, conduzindo o leitor àquele ponto em que a voz da poesia é contígua à voz do mundo, pronunciada em surdina, mas cheia de sentidos inusitados: tudo chega pela palavra e nela se esvai. Ou talvez, tudo esteja nos desenhos fortes e delicados em que se entremeia o texto.

Olhar as coisas não é tarefa simples. Perscrutar o mundo em suas sutis engrenagens exige curiosidade e veneração. Não a veneração que edifica e monumentaliza, mas sim, em seu lugar, o secreto respeito pelas coisas ínfimas, da bagana do cigarro abandonado aos degraus cotidianamente pisados pelos nossos sapatos. Diante da pressa dos que passam, alguém ou algo fica no meio do caminho, inaugurando um tempo outro, que resiste ao toque voraz do relógio. Ali, no instante em que um mundo mais humilde se revela, as coisas passam a soletrar suas estórias. O mínimo tu em mim enseja uma pergunta: o que nos devolvem as coisas que normalmente deixamos para trás, quando voltamos a elas, ou melhor, quando nos voltamos a elas?

O “tu” é uma pessoa, o mundo todo, ou apenas um fragmento do universo? Como há de ver o leitor deste livro, o tu que está em mim não é um objeto excepcional, a ser guardado e espanado no museu da memória, glorificado para que não seja esquecido. Discreto, nem sabemos se esse tu é humano, animal, vegetal ou inanimado. Aliás, a poesia de Daniel Conte elabora um universo em que os limites entre esses reinos se esboroam, em que o tu é uma dimensão fugidia do próprio eu, sua história desconhecida, feita de encontros ao acaso. Pela poesia, o sujeito se descobre, em espantado silêncio, refletido nos mínimos fragmentos do mundo que sempre julgamos exteriores e que, agora, estão em nós. Mas esse território em que o tu e o mim se tocam não é franqueado de forma abrupta ou absoluta. Tudo é pequeno e sutil, nesse vasto mundo que devagarinho adentra o sujeito.

 

Pedro Meira Monteiro

Autor
Autor 1 Daniel Conte
Especificações
Ano 2017
Editora Trajetos Editorial
Páginas 101

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